quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Cadê o letrista?

Hoje a menina de bolha perguntou: o que aconteceu com as letras do pop/rock nacional?

Lembrávamos de como são interessantes as letras de Cazuza e Renato Russo. Ligar o rádio e ouvir NXzero ou Fresno é triste (para não falar aquele palavrinha que começa com F).

Talvez o mundo hoje não seja tão problemático ou depressivo como nos anos oitenta do século passado. Será que falta o que ter com que se revoltar, como já disse Roger.

Por que hoje é tão difícil fazer uma música sem rimas pobres e letras rasas, que mais parecem redações de alunos do ensino fundamental. Será que falta inteligência:

Só para comparar, um pequeno trecho de uma música do Fresno (Não Quero Lembrar):

Não, eu não quero lembrar
Que alguém que não te quer
Está ocupando o meu lugar

Nossa, que horror!

Agora um trecho de uma música da Legião (Daniel na Cova dos Leões):

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos

Alguém tem dúvidas?

Vou apelar: um pouquinho de NXzero (Pela Última Vez):

Não!
Eu não vou te deixar
Ir embora assim
Nada vai funcionar

Hummmm… rimar “deixar” com “funcionar”. Que perspicácia!

Para salvar a paciência do leitor, Cazuza (O Tempo não Pára):

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

Tudo bem que rimar “nascer” com “morrer” não é um exemplo de poesia, porém, a letra transmite um ódio e um angústia que os meninos de hoje não tem capacidade de expressar.

Renato Russo e Cazuza sabiam transformaram depressão em letras interessantes, raivosas. Tinham o que falar. NXzero e Fresno rimam verbos no infinitivo e conseguem ser mais superficiais do que duplas sertanejas.

As músicas do último disco da Britney e a novidade Lady Gaga são bem melhores do que o romantismo estragado dos pseudo-roqueiros nacionais (quem diria que um dia eu elogiaria e loira-ex-drogada).

O que eu penso: bandas como NXzero e Fresno deviam ser proibidas de usar guitarras, pois esse é um instrumento sagrado. Deviam ser impedidos de se tatuar, por que isso não é coisa de babaca.

E para finalizar, bandas como Copacabana Club deixam um pouco de esperança para o pop/rock nacional. “Just do it” é muito legal (se bem que as letras são em inglês).

Dá licença que tá começando o Scrap. Acho que a Marimoon sozinha é mais inteligente do que todos os integrantes juntos das falsas bandinhas de pop/rock.

Fui,

Eddie Sagan.

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