Penso que os sinais são claros.
Se deixo visível que tenho em minha posse um pequeno dispositivo eletrônico conhecido como “tocador de mp3” e os fones de ouvido deste aparelho estão posicionados em meus pavilhões auriculares é por que desejo escutar música, e não conversar.
Tal desejo é potencializado se estou em uma academia de ginástica, pois a única maneira de me manter em uma esteira, feito um camundongo de laboratório, é me deixar escutando um bom heavy metal (Iron Maiden é meu favorito).
Como heavy metal não é música de academia, deixem-me com meu “mp3 player”.
Ontem, durantes meus esforços para evitar o crescimento da protuberância que se forma em minha região abdominal, um pastor de uma determinada igreja tentou iniciar um diálogo. Pastores e suas respectivas igrejas me deixam mal-humorado, porém, não sou mal-educado.
Respondi a primeira pergunta: qual o seu nome? Retribui no mesmo tom e, ato contínuo, manuseei o dispositivo eletrônico (talvez ele não tivesse notado) e ajustei o posicionamento dos fones.
Não houve um segundo questionamento.
Provavelmente ele desejava perguntar a razão de eu possuir um pentagrama tatuado no braço (notei que ele olhava para minha tatuagem). Como eu detesto explicar os motivos de minha descrença no mundo divino, bem como minha adoração pelas coisas mundanas, não permiti que a conversa continuasse.
Ou será que eu devia ter explicado que o pentagrama representa um antigo culto pré-helênico à “deusa-mãe” e que, em determinadas ocasiões, realizavam-se celebrações orgiásticas em homenagem à figura central da tríade feminina?
Será que ele iria ficar assustado? Tentaria me exorcizar?
Espero que das próximas vezes ele, ou qualquer outro, entenda que fones nos ouvidos significa “NÃO PERTURBE”.
É isso,
Eddie Sagan.
