terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não, não queremos filhos.

Tudo igual nas Montanhas Luminosas, ou seja, o que está fora do meu reduto continha chato e careta.

Hoje, uma garota simpática, com aproximadamente seis meses de idade, lançou um sorriso babado para a menina da bolha, que, por sua vez, ao reconhecer o sinal de proto-inteligência advindo do pequeno ser vivo da espécie humana, retribuiu o cumprimento. Afinal ser mal-humorada não significa ser mal-educada.

Sim, a menina da bolha é tão mal-humorada quanto eu.

Automaticamente veio a pergunta: quando você vai providenciar um? Um o que? Um bebezinho lindinho! A menina da bolha se aborreceu. Considerando que ela é casada comigo, imaginei que a pergunta me era extensiva, portanto, também fiquei aborrecido.

Sim, irrita, muito a mania das pessoas acharem que casar significa querer ter filhos. Esse é o pensamento da sociedade careta e chata das bandas de cá.

Prefiro ser classificado como um outsider. Para nós, casar pode ser legal e divertido. Sim, é possível ser casado e pegar a estrada só para conferir como está a noite paulistana (saudades de lá). Produzir-se para a balada, freqüentar a subversão esfumaçada e escura, misturar energético na Ice, dançar até o pé inchar, lançar olhares, ser olhado e chegar em casa (ou no hotel) com o dia amanhecendo. Bastam dois requisitos: fazer tudo isso sempre na companhia da cara-metade e não ter filhos.

Filhos são bonitinhos, mas são impeditivos às farras orgiásticas e irresponsáveis. É uma questão de opção: passar acordado em um inferninho se divertindo na companhia de gente bonita, ou passar a noite em claro porque quando o neném fica doente é preciso achar uma farmácia de plantão (lembram quando os Titãs não eram chatos).

Poderemos mudar de idéia um dia, mas, por enquanto, eu a menina da bolha preferimos as loucuras das diversões noturnas do que a responsabilidade de educar pequenos seres vivos da espécie humana. Optamos pela felicidade.

A propósito, quando alguém nos lança um olhar de reprovação e diz que parecemos um casal de namorados adolescentes, sentimos satisfação.

É isso,

Eddie Sagan

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